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Você já se sentiu multilado?

​Essa é a questão sobre a qual quero refletir hoje.


​Às vezes, nos sentimos mutilados de afeto, de recursos financeiros, de liberdade ou, fisicamente, de um órgão. Quando apenas uma dessas perdas acontece, já somos imersos em uma profunda sensação de angústia e medo.


​Agora, imagine todas essas mutilações acontecendo ao mesmo tempo. Um verdadeiro caos. Uma odisseia. É exatamente assim que se sente um paciente atravessando um tratamento oncológico.


​Por isso, os cuidados paliativos não significam desistência. Eles devem ser introduzidos desde o início, lado a lado com o tratamento convencional. Cuidar de alguém é um ato de civilidade, de virtude. Cuidar de pessoas é um ato de amor. 🤍


​Existe um paradoxo no câncer: a célula doente pede espaço e expansão, enquanto o paciente, tomado pelo medo, pede recolhimento. São duas energias opostas habitando o mesmo ser, a mesma alma.


​O cuidado paliativo deve e pode ser parte dessa jornada para trazer acolhimento, respeito e, principalmente, colocar a Vida novamente no lugar de honra que lhe é devido.



 
 
 

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